Acredito que devo uma análise aos internautas sobre o antipetismo, movimento que tomou corpo há cerca de cinco anos atrás, desembocando em 2018, tendo como ápice a eleição de Jair Bolsonaro a presidente.
Sobre o PT, considero-o um partido importante para a política brasileira, mas cometeu erros, deixou-se levar pelos louros da vitória e enrodilhou-se corporativamente em práticas que ele próprio criticava.
Mais precisamente sobre o antipetismo, há nele o sentimento de raiva da política, de cansaço do eterno jogo de gato e rato entre PSDB e PT e de necessidade de reformas no poder público. O poder subiu à cabeça de muitos líderes petistas e houve um aparelhamento excessivo de estatais e órgãos públicos.
É de se esperar um governo constitucional de Bolsonaro. Neste contexto a oposição se focará na questão previdenciária, educação, saúde, infraestrutura, entre tantas outras do cotidiano da vida nacional. O PT estará na trincheira, aguentando os arroubos militaristas e caudilhescos do presidente.
Agora o antipetismo infla-se da alegria da vitória do capitão da reserva nas urnas, mas depois de 1º de janeiro a situação será outra. Haverá demandas para o Governo, a Câmara e o Senado terão debates e a imprensa e as redes sociais farão cobranças.
Vejo em 2018 o fim de um ciclo da vida política nacional, ocasião em que definham atores e modelos políticos, surgindo figuras dramáticas que mexem com a passionalidade do brasileiro, claramente decepcionado com a política. Neste caso a direita acaba sendo a depositária da confiança da maioria.
Não é para menos que segurança e combate à corrupção estão no foco principal do eleito e dos seus apoiadores. A direita é vista como guardiã dos valores nacionais. Esta valsa toca e embala a classe média no seu sonho dourado de proteção, ordem e progresso. Daí a simbologia do verde-amarelo, algo que toca as pessoas, num civismo motivado pela campanha eleitoral. Neste contexto as bandeiras vermelhas e de outras cores acabam execradas pela maioria. É o sinal de um novo tempo no Brasil.